Noções de Emergências Médicas: DOR TORÁCICA – Manual INEM

Noções de Emergências Médicas: DOR TORÁCICA – Manual INEM

A dor torácica é um dos sintomas que merece maior atenção no domínio da medicina pois traduz muitas vezes uma situação grave.
Sabendo que é no tórax que se alojam órgãos tão nobres como o coração e pulmões uma dor localizada nesta região nunca pode ser desvalorizada. A dor torácica poderá ser de origem cardíaca ou não cardíaca, porém neste manual, apenas será abordada a dor torácica de origem cardíaca, a qual pelas suas características, etiologia e prognóstico necessita de particular atenção na abordagem Pré-Hospitalar.

DOR TORÁCICA DE ORIGEM CARDÍACA O coração, como já referido anteriormente, é um órgão vital que funciona como uma bomba que permite por um lado impelir o sangue pelos vasos de forma a fornecer o oxigénio e nutrientes a todas as células do organismo e por outro remover destas todos os produtos resultantes do metabolismo que poderiam tornar-se tóxicos. Uma dor cardíaca representa uma situação em que o miocárdio não está a receber a quantidade de oxigénio suficiente para as suas necessidades do momento. Normalmente esta situação está associada, por um lado, ao aumento da necessidade de oxigénio (ex. um esforço, uma emoção), por outro, à diminuição do aporte de sangue ao miocárdio. Esta última, a diminuição do aporte de oxigénio, deve-se normalmente a uma doença chamada aterosclerose. A aterosclerose representa uma alteração das artérias, própria do envelhecimento e consiste numa progressiva deposição de placas de gordura e outras substâncias no interior da artéria, que se desenvolve ao longo de anos.

Esta deposição de placas de gordura e outras substâncias, faz com que: • O diâmetro das artérias diminua gradualmente; • As paredes das artérias percam a sua elasticidade, tornando-se mais duras. Estes dois fatores em conjunto conduzem a: • Uma diminuição do volume de sangue, já que a diminuição do diâmetro interno da artéria provoca resistência à passagem do sangue; • Um aumento da pressão no interior das artérias, ou seja a mesma quantidade de sangue passa por um diâmetro mais pequeno. Assim, quando este mecanismo ocorre nas coronárias (artérias que irrigam o coração), surge uma situação de dor torácica de origem cardíaca que representa uma situação grave. A dor torácica de origem cardíaca pode apresentar-se como duas entidades clínicas: • Angina de peito; • Enfarte do agudo do miocárdio (EAM).

Angina de Peito A angina de peito desencadeia-se quando o miocárdio não recebe oxigénio suficiente para satisfazer as suas necessidades, provocando a acumulação de determinados metabolitos (produtos resultantes do metabolismo) no interior das células musculares e a libertação para o espaço extracelular de uma série de substâncias químicas. Estas, irritam as terminações nervosas, provocando o aparecimento de uma crise dolorosa típica, que pode acontecer quando alguma das artérias fica parcialmente obstruída e, em especial, quando as necessidades do coração aumentam (ex. devido a um esforço físico).
Normalmente, a dor surge quando se juntam vários fatores que aumentam o volume de trabalho do coração e, consequentemente, as necessidades de oxigénio do miocárdio: ex. caminhadas ou corridas, sobretudo quando se sobe uma escada, após as refeições (o aparelho digestivo requer mais sangue) e caso faça frio (existe uma maior afluência de sangue na pele). Também pode acontecer que a crise se desencadeie perante uma emoção intensa, tanto de desgosto como de alegria, pois o coração bate mais depressa, aumentando as necessidades de consumo de oxigénio.

Manifestações da angina de peito
A crise de angina de peito caracteriza-se por uma dor no centro do peito, por trás do esterno (dor retroesternal), que pode irradiar para os ombros, para o pescoço e para o maxilar inferior, para as costas ou até para os braços e mãos. Por vezes, a dor só é perceptível no peito, sobretudo no lado esquerdo, irradiando/alastrando apenas até ao braço esquerdo ou até uma determinada localização específica, como o pescoço, o maxilar inferior ou um pulso. Apesar de a dor no peito ser comum em todos os casos, esta nem sempre se estende para os mesmos locais, embora a dor possa ter ou não a mesma localização. A dor retroesternal costuma ser do tipo opressiva, como se estivesse algo a comprimir ou a atravessar o peito. A sua intensidade é variável, tanto pode ser muito leve como muito forte, quase insuportável. É sempre acompanhada por uma intensa sensação de angústia, normalmente com suores frios, palidez, náuseas e dispneia.
A duração da crise é curta, habitualmente entre um a dez minutos, às vezes um pouco mais, mas nunca de modo a ultrapassar a meia hora, o que a distingue de um enfarte do miocárdio. A dor pode ceder mais cedo se interrompermos o esforço físico que desencadeou o episódio e caso seja administrado um medicamento que dilata as artérias coronárias e rapidamente aumenta a afluência de sangue para o miocárdio (intervenção que requer a presença de meios SIV/SAV).

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