Relações diplomáticas do Brasil com a China afetam vacinação

O Brasil tem sido palco de uma batalha acirrada pela vacina Covid, com o presidente Trumpian Bolsonaro de um lado e o presidente do Estado de São Paulo, João Doria, do outro.

Dois eventos políticos significativos ocorreram ao longo dos meses: primeiro, o judiciário brasileiro se pronunciou contra o presidente Bolsonaro e a favor do Estado de São Paulo sobre a adoção do Sinovac (a vacina fabricada na China) e, segundo, o pai político de Bolsonaro agora o ex-presidente dos Estados Unidos, Trump, saiu de cena, deixando o pitoresco brasileiro sozinho.

COVID-19, as autoridades se reuniram com o embaixador da China no Brasil

Autoridades brasileiras se reuniram nesta quarta-feira (20) com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, para tentar acelerar a importação do insumo farmacêutico ativo da vacina - conhecido localmente como IFA.

O atraso na entrega compromete a produção local tanto em Covishield - desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford - quanto em Coronavac, pela farmacêutica chinesa Sinovac.

A tensão nas relações do Brasil com a embaixada da China, devido às críticas feitas pela família do presidente Jair Bolsonaro e funcionários do governo ao país asiático, foi apontada como um entrave na transação da vacina pelos governadores dos estados.

Quinze autoridades locais assinaram uma carta oficial esta semana ao Presidente da República pedindo um diálogo com a China.

Brasil, Governo Federal ressalta que é o único interlocutor oficial do governo chinês

Em nota oficial, o Governo Federal afirmou que “tem abordado seriamente todas as questões relacionadas ao fornecimento de insumo farmacêutico ativo (IFA) da vacina”, e ressalta que o Governo Federal é o único interlocutor oficial do governo chinês ”.

O encontro com Yang Wanming, realizado por videoconferência, contou com a presença do Ministro da Saúde Eduardo Pazuello, mas também da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do Ministro das Comunicações, Fabio Faria.

A intenção era mostrar o interesse do Brasil em manter a união com a China em todos os aspectos. O país asiático é o maior parceiro comercial do Brasil e também pleiteia a participação da Huawei na instalação da tecnologia 5G no Brasil.

Além de representantes do Executivo, o chefe do Legislativo, Rodrigo Maia, também interferiu nas negociações diplomáticas com a embaixada chinesa.

Após encontro com o embaixador na tarde desta quarta-feira (20), Maia disse que questões técnicas atrasam a importação do IFA.

“Senti claramente que os conflitos políticos não são a razão do atraso ocorrido, a questão é sim técnica”, disse Maia, em entrevista à Globonews.

Tanto o Instituto Butantan, que vai produzir a vacina Coronavac, quanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por Covishield no Brasil, anunciaram que o atraso na importação do IFA já tem impacto nos planos de vacinação, e nas doses previstas para o dia 8 de fevereiro só estará disponível no início de março.

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Agenzia Dire

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